Doença Diverticular dos Cólons

Óstios de divertículos observados durante colonoscopia

Na tarde do último dia quinze de março, proferi uma palestra na PROCERGS (Cia. de Processamento de Dados do Estado do Rio Grande do Sul) sobre “Prevenção do Câncer Colorretal” a convite da CIPA daquela instituição. O evento foi extremamente profícuo com ativa participação da platéia que contribuiu com várias questões. Na ocasião, encontrei pessoas que já haviam consultado comigo, e uma, em especial, cobrou-me uma exposição sobre o tema “doença diverticular dos cólons” neste “blog”, algo que tinha lhe prometido já há algum tempo. Como consequência desse fato, escrevo hoje sobre essa doença, abordando os aspectos que me parecem mais interessantes para o público em geral.

A doença diverticular dos cólons é uma moléstia comum, afetando igualmente ambos os gêneros. Sua prevalência é dependente da idade, aumentando de menos do que cinco por cento, aos quarenta anos de idade, para trinta por cento, até os sessenta anos, e para sessenta e cinco por cento, até os oitenta e cinco anos de idade.

Divertículos observados externamente nas paredes dos cólons

O termo doença diverticular engloba a doença, com ou sem complicações (neste último caso, o termo diverticulose é ainda algumas vezes empregado), tais como inflamações, hemorragia e obstrução intestinal. A propósito, divertículos são protrusões externas saculiformes ou herniações nas paredes dos cólons, particularmente localizadas nos pontos onde os vasos sanguineos penetram na camada muscular.

Vários estudos sugerem que dieta pobre em fibras predispõe ao desenvolvimento de doença diverticular. Falta de atividade física vigorosa pode também ser um fator de risco para a doença, assim como obesidade tem sido relacionada com maior risco de complicações como diverticulite e sangramento.

Divertículos são frequentemente encontrados em exames como enema opaco, retossigmoidoscopia flexível e colonoscopia, sendo que noventa e cinco por cento dos pacientes tem divertículos no cólon sigmóide.

A famigerada diverticulite (inflamação de divertículo) é causada pela perfuração de um divertículo, determinando quadros clínicos variáveis, desde uma inflamação subclínica até uma peritonite generalizada. Dor no quadrante inferior esquerdo do abdome é a queixa mais comum. Aproximadamente de quinze a vinte e cinco por cento das pessoas com divertículos desenvolverá diverticulite, sendo oitenta e cinco por cento na forma não-complicada, esta respondendo ao tratamento clínico; os demais casos necessitarão de cirurgia. A tomografia computadorizada é o teste diagnóstico de escolha em pacientes com suspeita de diverticulite aguda. Após a resolução de um quadro de diverticulite, todo o intestino grosso deve ser examinado para determinar a extensão da doença e descartar a existência de lesões anormais como pólipos ou câncer. Minha particular opinião é a de que, nesse caso, a colonoscopia é o melhor teste. Neste caso, na maioria das vezes, os óstios dos divertículos são mais visíveis durante a fase de introdução do aparelho, pois o cólon fica mais alongado, favorecendo sua exposição. Quando da retirada do colonoscópio, o cólon fica mais sanfonado, dificultando sua observação.

Embora o papel das fibras na patogênese dos divertículos seja controverso, a adição de fibras na dieta de pacientes com doença diverticular assintomática pode reduzir o risco de complicações subseqüentes. A propósito, a orientação, ainda hoje dada por muitos médicos, de que pacientes com divertículos devem evitar pequenos alimentos como grãos, castanhas e sementes, entre outros, porque os mesmos podem teoricamente alojar-se em um divertículo, desencadeando diverticulite, não tem nenhuma comprovação científica.

Hemorragia como complicação de doença diverticular pode ocorrer em grande volume, sendo a colonoscopia o exame de escolha para diagnóstico e tratamento. Aproximadamente cinco por cento dos pacientes com doença diverticular apresentam hemorragia e hipovolemia, a maioria com mais de sessenta anos de idade.

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19 Respostas to “Doença Diverticular dos Cólons”

  1. Sérgio Lima Says:

    Prezado, Dr. Gustavo Pfeifer.

    Não sou seu paciente. Escrevo do interior do RJ.

    Tenho 57 anos. Meu pai morreu em 2005 de um câncer semelhante ao do Vice Presidente José Alencar.

    Em 2009 tive uma hemorragia interna, Daí fiz minha 1ª colonoscopia. Conclusão: “Doença diverticular hipertônica leve: de sigmóide”.

    Hoje (17-11-16) fiz a 2ª colonoscopia sob a ótica da prevenção.
    Conclusão: “Doença diverticular cólon esquerdo”

    Pergunto ao Sr.: Estou na mesma ou Piorei ?
    Em quanto tempo devo fazer a 3ª colono ?

    Muito grato por sua atenção.

    OBRIGADO !

    • Dr. Gustavo K. Pfeifer Says:

      Prezado Sérgio Lima:
      Doença diverticular em hemicólon esquerdo significa que os divertículos foram observados na porção final do cólon transverso e nos cólons descendente e sigmoide. Isto não significa, necessariamente, uma progressão, em extensão, de sua doença diverticular. A extensão real pode não ter sido percebida adequadamente no primeiro exame ou superestimada no último exame.

  2. André Says:

    Olá Doutor, espero que esteja tudo bem com o senhot.

    Minha mãe operou o intestino para retirar um grande pólipo benigno do sigmóide em 2003, retirou trecho do intestino nessa operacao, e depois passou a fazer colonoscopia para retirar pólipos pequenos a cada dois anos, sempre retirando pólipos benignos pequenos nas colonoscopias. Em alguns exames o resultado dizia ela ter diverticulose no sigmóide e em outros, ela não ter. As vezes falava da cicatriz no sigmóide de cirurgia prévia e as vezes não falava nada.

    Ai ela fez um exame de rotina agora, outubro de 2016, que deu esse resultado:

    Introdução do aparelho colonoscopio via anal até o óleo terminal.
    Preparo bom.
    A mucosa dos segmentos examinados enconta-se de coloração rosa, lisa e brilhante, com visibilizacao da vasculatura da submucosa de distribuição característica.
    Presença de dobra fixa em cólon sigmóide que dificultou a progressão do aparelho.
    Não identifico tumores, pólipos ou diverticulos.
    Mobilidade e distensibilidade preservadas.
    Ceco e válvula ileo cecal sem alterações.
    Íleo terminal normal.
    Conclusão: – Colonoscopia até o íleo terminal.
    – Cólon e íleo terminal endoscopicamente normais.
    – Dobra fixa em sigmoide

    Estou muito preocupado, pois dependemos do SUS e não sei o que essa dobra fixa pode ser, ainda mais no sigmóide, onde ela operou 13 anos atrás e que as vezes no exame saia como tendo diverticulos na colonoscopia.

    Não existe vaga pra procto esse ano, só em fevereiro, o senhor poderia me dizer se acha que devo fazer um emprestimo pra tratar ela particular? lendo o laudo que transcrevi, dobra fixa é muito grave na opinião do senhor, pode significar uma doença muito grave como causa? Minha mãe tem 75 anos e só pressão alta

    Aguardo angustiado por resposta, muito obrigado.

    • Dr. Gustavo K. Pfeifer Says:

      Prezado André:
      Inicialmente, devo registrar, que a colonoscopia é um exame operador-dependente. Isto significa que o resultado varia dependendo da competência do médico que a realiza. Existem médicos muito ruins, ruins, medíocres, bons e excelentes, estes, em número menor. Habitualmente, o leigo não tem elementos objetivos para poder escolher os melhores profissionais. Isto tem implicação, também, na qualidade do laudo (texto) escrito pelo médico, resultado de suas observações, que guarda distâncias variáveis da realidade. No caso da senhora sua mãe, divertículos, cicatriz cirúrgica resultante da anastomose, pólipos, etc. podem existir e, em alguns exames, não serem descritos, porque o médico não os percebeu – erro de percepção. Cirurgias abdominais, como histerectomia (retirada do útero), colectomia segmentar (retirada de um segmento do cólon) e outras, podem resultar em aderências. Isto poderia explicar a fixação encontrada na colonoscopia. Se este for o caso, e sua mãe está bem, é provável que não exista motivo para preocupação. Entretanto, o médico assistente é que deverá orientá-la, adequadamente.

  3. Elma Marcelo de mello Says:

    Fiz uma colonoscopia é evidenciou inúmeros ostios diverticulares de colo estreitos em todos os segmentos examinados do colo, porém em menor quantidade no ceco.tenho 65 anos. Qual a gravidade, é cirúrgico?

  4. Silvana Rodolfo Says:

    Olá doutor essa carninha na entrada do ânus pode ser câncer?

  5. Delza Says:

    Fiz Colonoscopia e o resultado foi.
    Angulação fixa em sigmóide(aderencias)
    Doença Diverticular do Sigmóide
    Pólipo em Cólon ascendente polipectomia
    Obriagada
    Delza

  6. Maria Socorro Mendes Says:

    Eu tenho diverticulite a mais de dez anos, e cada dia que-se passa sofro a inda mais com cólica intestinal ; faço dieta prescrita pela nutricionista, mas mesmo assim continuo com cólica frequentemente . O que devo fazer para melhorar?

    • Dr. Gustavo K. Pfeifer Says:

      Em verdade, você deve ter diagnóstico de divertículos de cólon há mais de dez anos. Você deve consultar com um especialista competente para verificar se não existe outra razão para a dor abdominal em cólica, haja vista que a doença diverticular colônica é bastante frequente após uma determinada idade, aumentando com o passar dos anos, habitualmente, não determinando dor abdominal.

  7. marcospaulo Says:

    Sinto dor anal já FIS uma cirurgia sinto mesmo problema .DOI quando eu faço cocou que eu faço

  8. Rosangela Fatima Says:

    Boa tarde ,eu estou pansado este problema,Diverticular de có´lon direito,vou ainda retonar p minha medica p ver o resutado do meu isames…estou preocupada doi muito..obrigada.

  9. Wanda Lopes Says:

    Tenho diverticulos e quase diariamente sofro com diarreia preciso de ajuda , pois não aguento mais , eu trabalho e passo por situações desagradáveis ,gostaria de um medico especialista em diverticulose

  10. sonia Says:

    Valeu!…. Consegui esclarecer mais o que realmente vem acontecendo comigo. Fiz colonoscopia recente, parece q não é nada muito sério; vou apresentar ao meu médico para maiores esclarecimentos.
    Sonia

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